"O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça"

31/10/2015


Pedem desculpa, como se apagasse, como se curasse, e ficam por ali, pelas desculpas, e os atos? os atos serão sempre os mesmos. Inventaram a palavra desculpa e agora magoar tornou-se uma banalidade, magoam sem receios achando que vão ser desculpados em tudo, sempre ouvi dizer que desculpas a mais tira a vontade de perdoar, e lá esta, eu não irei desculpar para sempre, e para mais, sempre fui da opinião que erros não são resolvidos com uma palavra.

Chega a ser deprimente o "sinto muito" que sai destas bocas, tornou-se vulgar, não passa de um "analgésico" que diminui a dor, mas que não apaga.


Onde está o bom senso destas pessoas?

  

30/10/2015


Nem tudo é como a gente quer. No entanto, isso não quer dizer que não é tudo que precisamos. Muitas vezes, essas coisas que a vida nos coloca pelo caminho são bem melhores do que gente esperava. Vê bem, a hora mais bonita do dia é aquela em que o céu fica vermelho, e não azul. As mais belas noites são aquelas poucas em que a lua pega emprestada quase toda a luz do sol e a gente não precisa de lanterna pra caminhar. Exemplos não me faltam: a gente só ama o frio porque pode se envolver em mil casacos e cobertores, bem como agradecemos pelo escaldante sol de verão somente após mergulharmos num mar gelado. Eu posso não ser o que tu esperavas, mas nós não escolhe-mos o que queremos sonhar quando colocasse a cabeça na almofada. E que atire a primeira pedra quem não gosta de sonhar aqui. Eu posso não ser tudo o que tu precisas, mas nós vive-mos e morre-mos sem saber do que realmente precisamos. Todas as pessoas tem problemas,todas as pessoas são impulsivas, todas as pessoas perdem a cabeça, todas as pessoas num minuto agem como se odiassem e no seguinte como se precisassem um do outro. Eu posso não bastar. Então que baste o amor, porque enquanto amor for amor, que venha discussões, que venha saudade, que venha a angustia dos dias sem ti, pode vir o que for, e ainda sim cumprirei as minhas promessas e juras de amor, pois junto com o amor, vem à força necessária para suportar, esperar e confiar naquilo que um dia será sempre meu.

29/10/2015




Mãos dadas, sabem o quanto eu acho isso bonito? a simplicidade de duas mãos entrelaçadas uma na outra? isso tem uma conexão tão grande, mas é por esse mesmo motivo que hoje em dia não ando de mãos dadas com ninguém, e se me perguntarem, vou mentir e dizer apenas que não gosto, afinal ninguém sabe o valor que dou a isso.


Eu gosto de dar a mão a quem "estende-me a mão", a quem me ajuda e demonstra que não é apenas mais uma pessoa na minha vida, dou a quem me faz sentir que bem, a quem merece o devido valor, dou a mão a quem tenho a certeza que vai permanecer comigo por muito tempo.
Foram poucas as pessoas que já andei de mão dada, quando era criança andava com a minha mãe, e se for preciso ainda o faço hoje em dia, pelos motivos que já referi e por outros mil. Quando tinha 15 anos, conheci a Jess, até os meus 15 tive imensas amigas, mas ela foi diferente, pela sua força, pela sua capacidade de me fazer feliz, pela maneira que me fazia ver a razão das coisas, por me ajudar em coisas que ela nem sabia...eu dei lhe a mão, eu gostava de andar de mão dada com ela, mesmo tendo 15 anos, mesmo sabendo que as pessoas iam fazer comentários desagraveis só por andar-mos de mãos dadas nas ruas, porque lá esta, as pessoas associam que andar de mãos dadas é só para os namorados, para eles não passa disso.

Também já me arrependi de dar a mão, dei porque fui ingénua ao pensar que podia encontrar o amor da minha vida ao 18 anos, mesmo assim não estava a espera daquilo, quando me agarrou na mão e entrelaçou os seus dedos nos meus, eu tremi, não consegui parar de olhar para as mãos e a única coisa que me passava pela cabeça era "é serio então? será que ele tem noção do que está a fazer?" mas não, ele não teve noção e não durou muito tempo para perceber isso, da mesma maneira instantânea que ele me deu mão, ele saiu da minha vida, sem se preocupar com o turbilhão de sentimentos que eu sentia, e eu... eu aprendi, aprendi aguentar-me, aprendi que a maioria das pessoas não sentem o mesmo que eu, quando dou a mão. 
Desde então nunca mais dei a mão a ninguém, "não gosto" é a minha desculpa, mas lá no fundo eu sei que é por medo de dar e depois a outra pessoa soltar.




27/10/2015


O ditado diz que quem canta seus males espanta, no meu caso é, quanto mais eu falo, os meus males eu espanto.  Basicamente 90% de mim quer falar, e os outros 10% supostamente era para ouvir os outros, supostamente, vá estou a exagerar, mas quem me conhece bem sabe que eu gosto de falar, gosto de opinar, expressar, exprimir, discutir, paper, sei la, tudo o que tenha a ver com falar. Não sou daquelas pessoas que se senta numa mesa com um grupinho de amigos e pede o seu café e fica por ali agarrado ao telemóvel deixando-o comer o pouco que resta do seu cérebro. Obviamente que não me ponho a falar de maneira compulsiva, e se por ventura isso acontecer, quem estiver ao meu lado certamente deu me muita confiança para isso, só falo muito com pessoas que eu me sinto a vontade e quando sei que essas pessoas são capazes de acompanharem a minha conversa, sim, porque a maioria das pessoas, eu falo de sei lá, de qualquer coisa minimamente interessante ou relevante para mim e para essa pessoa e ela responde me com uns simples "ok, sim" e eu fico "olá? deixas-te o teu cérebro na mesinha de cabeceira" digam lá se isso não é frustrante?
Eu já pensei que o facto de eu gostar de falar muito fosse um defeito meu, mas não, as pessoas é que querem ser sociáveis mas só facebook. E é por isso que quando saio e combino alguma coisa com alguém é quase sempre com a mesma pessoa praticamente,  porque sei que ela para além de ser faladora como eu, vai estar ali de corpo e alma pronta a opinar sobre o que vou dizer, e não apenas de corpo com uma cara de paisagem do género "não percebi nada"

Mas bem, são estas coisas...

25/10/2015



Valeu a pena cada noite mal dormida, por causa dos meus gritos, das minhas cólicas, das minhas birras;
Valeu a pena cada susto à cada caída minha;
Valeu a pena cada esforço seu, para eu não deitar a comida fora;
Valeu a pena cada caminhada sua para ir me por a escola;
Valeu a pena cada perda do seu tempo a tentar ajudar me nos trabalhos de casa;
Valeu a pena cada chuva que apanhou quando eu queria o guarda-chuva só para mim;
Valeu a pena todas as vezes que me deste a tua maçã, mesmo quando eu já tinha comido a minha;
Valeu a pena todo o seu esforço para eu saber o que era ter fé;
Valeu a pena ensinar-me o que é certo do que é errado;
Valeu a pena repreender-me, quando eu ainda insistia que o "errado" era "certo";
Valeu a pena todos os seu gritos, sempre que lhe desiludia;
Valeu a pena todos os puxões de orelha quando ignorava os tais gritos;
Valeu a pena cada centavo que gastou nos estudos que tanto queria que eu tivesse;
Valeu a pena todas as noites que implicava comigo para eu ir dormir;
Valeu a pena ensinar-me que cada coisa tem o seu tempo, quando eu achava que já era uma mulher e afinal ainda era uma adolescente;
Valeu a pena todas as vezes que foi fria comigo;
Valeu a pena todos os nãos que me disse;
Valeu tudo a pena, pois eu olho para trás e só consigo enxergar amor em cada atitude que teve comigo;

Valeu a pena ser a minha mãe...

23/10/2015


Será que é só as minhas idas ao pingo doce que são uma coisa de outro mundo ou as vossas também são? E não me estou a referir ao facto que acabo sempre por ligar para a minha mãe, para dizer-lhe os preços das coisas, ou para pedir lhe que me relembre do que é suposto comprar. 
Vamos lá ao ponto principal, o talho, é sempre uma confusão, mesmo antes de tirar a minha senha do número, já calculo que vou ter um número muitoooo, volto a dizer muitoooo superior ao que esta a ser atendido, isto porquê, basta ver a quantidade de pessoas que lá estão, são mais que a minha família reunida no natal, e a minha família não é nada pequena. Bem, depois de tirar o número e de confirmar que vou ficar lá uma estação inteira, a única coisa que passa pela cabeça é "quase que tenho tempo de fazer um melhor amigo aqui" , e não é que mesmo? estou a exagerar em relação ao fazer ao amigo, mas em relação de falar com as pessoas, minha nossa, nem imaginam. Uma da coisas boas, é que não preciso de ver noticias na televisão, saiu do talho tão actualizada, uns falam da queda do vizinho, outros do desprezo que  presidente da câmara tem para com os utentes, outros descontentamento da economia do pais, outros gritam que tão com pressa porque vai chover e é assim um turbilhão de conversas e polémicas que ouve-se no talho do pingo doce, e ainda assim, chego a caixa para pagar as compras e há sempre alguém que pergunta se pode passar a frente porque "o autocarro das 11h já foi, e o do 12h30 está quase e se não apanhar esse só tem o próximo é as 14h da tarde" e pronto ainda saio de lá com os horários dos autocarros actualizados.
Não estou a reclamar, são pessoas como eu, que enquanto esperam dão sempre uma palavrinha ou outra.

P.S: A senhora do número 67 devia ter em conta que o talho está la todos os dias, não precisava de ter levado todo o tipo de carne hoje, quase que não me deixou o franguinho que eu tanto esperei para ter.

21/10/2015

Mentira, ai a mentira, ela dá volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir.
Incrível isto, mas pergunto-me quem nunca mentiu? eu assumo já menti e sei que as vezes apesar de não ser a melhor solução é a única. Todo mundo mente, uns por medo, outros por ambição, outros por culpa, outros por prazer e por ai a fora. 
Menti muito na época da minha adolescência, o meu "está tudo bem" era sempre uma mentira, mentia aos meus pais quando me perguntava como estava a correr  as aulas, menti aos meus amigos quando perguntavam se eu estava aguentar me, mentia a mim própria quando perguntava me o que se passava na minha cabeça. Mas bem, foi uma fase, nunca usei a mentira para o mal dos outros, talvez para o meu, talvez para fazer coisas erradas comigo, mas nunca para com os outros. 
Hoje em dia já não sou vitima das minhas mentiras, talvez sou das mentiras das outras pessoas, mas não deixo que isso se transforme num bola gigantesca de calunias, eu apenas não ligo, a verdade acaba sempre por vir ao de cima, então deixo acontecer, a única coisa que acho é que quando alguém tem pouca imaginação para arranjar provas para a mentira, deve então dizer, de imediato, a verdade.

Falando daquelas mentiras inofensivas que normalmente vem das mães, namorados ou amigas, não são aquelas maldosas, são pequeninas coisas que ao ver deles, estão ajudando. Nunca vos aconteceu, a vossa mãe dizer que aquele brinco ridículo com todas as cores possíveis e com uma forma absurda, fica te muito bem, mas quando sais a rua com ele, sentes-te pior que um semáforo onde todo mundo para pra olhar. E a vossa amiga nunca vos disse que o vosso cabelo estava ótimo mas quando chegas-te a frente do espelho viste que tinhas mais cabelos no ar que outra coisa. São estas coisinhas, mas bem, se na minha vida tiver que ouvir mentiras então que sejam estas inofensivas, sempre dá para rir um bocadinho.

20/10/2015


 Existe um ditado que diz "Irmãos, a gente não escolhe" ate pode ser, mas quem escolheu os meus, escolheu bem...
 Irmãos são aquelas pessoas que nunca faltam, mesmo ocupados, mesmo longe, arranjam sempre tempo para se preocuparem com os outros irmãos, não é a toda hora, nem todos os dias, mas arranjam.
 Basta um "então?", com isto percebo logo que eles querem saber onde estou, como estou e entre isso tudo ainda decifro "ate que tenho saudades tuas". É assim, dão-te poucas palavras mas diz te tudo.
 Irmãos vão querer demonstrar sempre que são superiores que tu, vão falar sempre por cima, discutir contigo e quando batem com a cabeça na parede e apercebem-se que afinal tu é que tinhas razão, só para não dar o braço a torcer continuam a dizer que a razão lhes pertence.
 Mas bonito mesmo é quando fazem as pazes sem se aperceberem, sem um pedido de desculpas. Quem tem um irmão sabe que o simples facto de dizer "anda comer que o almoço esta pronto" já é um pedido de desculpas... 
 A verdade é que não precisas de falar, contar nada aos teus irmãos, porque por mais incrível que pareça, eles sabem sempre tudo.
 E agradeço aos meus pais, por terem posto seis na minha vida, e um obrigada a eles por existirem!

18/10/2015


Não tinha comentado com ninguém, excepto com minha mãe, que ia ter a minha segunda tentativa para passar o exame de condução, visto que a primeira foi pior que um fracasso. Tinha expectativas que na segunda vez ia conseguir, apesar de terem me dito muito em cima da hora, e saber que não tinha me preparado o suficiente desde a primeira tentativa, mas pronto a expectativa era bem maior.

Mas pelos visto o examinador achou que novamente não estava nada preparada, não me disse o porquê, apenas disse "chumbas-te, tens que praticar mais ", desta vez nem me deu a folha onde ele assinala o que fiz errado, desta vez eu não estava nervosa, desta vez nem estava aquele clima perturbador durante o exame, ouve risos, ouve conversa, eu estava bem ali, e o pior, eu estava confiante que ia passar, e no final eu oiço um "chumbas-te", sem saber o porquê, e na altura fiquei tão atordoada que nem saiu um "mas porquê?" da minha boca...

Como não sou de demonstrar tristeza, muito menos chorar na frente de alguém. Nem sou de pedir afeto ou implorar nada. Limitei me oculta o desespero que estava a sentir, o "enfarto" fulminante que estava a sentir por dentro.

A dor de fracassar mais uma vez era terrível, mas a dor de ter que ver a cara da minha mãe ao receber essa noticia era bem pior, ver que mais uma vez a desiludi, ter que ouvir mais uma vez "és tão inteligente para umas coisas e não consegues ser para isso".

Não lhe liguei como da outra vez, preferi dizer pessoalmente, e o meu espanto foi tão grande quando ela me disse "não fiques assim, foram os anéis mas ficaram os dedos" não estava nada a espera e percebi logo o que me quis dizer, numa pequena frase ela disse tanta coisa, para quem não percebeu, basicamente ela quis dizer que eu perdi mais uma vez, perdi dinheiro, passei pela humilhação do fracasso, mas ainda cá estou para tentar novamente ate provar que não sou nenhum fracasso, que a vontade que querer ter aquilo ainda permanece.


E pronto, estou pronta para a próxima...

15/10/2015


E o ultimo suspiro que dou antes de adormecer é por ele, mesmo depois de uma discussão desgastante, de palavras menos delicadas trocadas. A única coisa que preciso é de acordar no dia seguinte com um "está tudo bem meu amor" porque nada do que tenha dito no dia anterior conseguiu afectar o que temos de forte. Cada palavra mal intencionada, deitou-se na mesma cama que eu e adormeceu ao meu lado, mas na manhã seguinte não acordaram junto comigo, apenas caíram no esquecimento.Só me resta a vontade de querer estar bem com ele, e sentir que ele esta bem comigo mesmo sabendo que sou impaciente, um pouco insegura e nada pouco orgulhosa, mesmo sabendo que cometo erros, que as vezes sou difícil de lidar. Mas se ele consegues lidar com o meu pior, então ele com certeza mereces me no meu melhor.

08/10/2015



Tu consegues um bom emprego na hora que bem entendes? Tu encontras um amor do dia para a noite? Se entras num banco, sais de lá com um empréstimo sem burocracias? Se tu respondes-te sim para todas estas perguntas, parabéns e fica atento para a partida do teu disco voador, pois a qualquer momento tu terás que voltar para o seu planeta amigo. Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, não há vagas para o emprego, não temos fiador então não há empréstimo, a rapariga ve-te apenas como um amigo, o rapaz não quer saber se o que sentes é amor, e o policia não foi com sua cara e vai te multar, sim senhor. Não está fácil para ninguém. Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não, seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não, nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente. Quando eu tinha 17 estava apaixonada por um rapaz que ignorava a minha existência, quando eu não pensava nele, fazia planos de morar sozinha, mas engraçado que os meus estudos não eram remunerados, era óbvio que não ia conseguir viver sozinha com aquela idade. Também quis viajar para a Europa, mas não consegui pois lá esta, querer é bem diferente de poder. Surpreendentemente, não passou pela cabeça a ideia de me atirar de baixo de um caminhão haha. Hoje, com 22 anos, não mudou grande coisa, ainda não viajei pela Europa, nem moro sozinha, bem, em relação a vida amorosa ate que estou muito bem, mas não desespero com o resto, afinal a minha vida ainda esta a começar, e certamente não vou precisar de ganhar o euro milhões, nem fazer um pacto o demónio para ter sucesso, tal como nao precisei de fazer uma cirurgia plástica para encontrar alguém que me ama. O segredo: cada não que eu recebo na vida entra por um ouvido e sai pelo outro, não os colecciono, não os sobrevalorizo, Apenas espero, sem pressa, a hora do sim. O não é tão frequente que chega a ser banal, o não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador, o sim muda a tua vida. Sim, aceito casar contigo. Sim, temos vaga para si. Sim, passou o exame.

Quando não há nada que te detenha, as coisas começam a acontecer, sim.

04/10/2015

Preciso de um novo rumo, sinto-me fracassada, sinto-me inútil, falta-me não apenas uma coisa, mais inúmeras. Sempre achei que não importava a cor do céu lá fora, porque quem fazia o meu dia bonito era eu, mas nem  isso sou capaz hoje, preciso de me sentir prestável ou apenas ouvir um "eu acredito em ti"
No fundo nem sei bem explicar o que sinto, sorrio, de maneira indecisa, estou só exibindo por "solidariedade", sinto falta e uma urgência daquilo que nunca tive, um emprego, um trabalho, preciso de reconstruir os dias que perdi fechada neste quarto.
Antes eu queria tantas coisas, tantos planos, tantas aventuras, e hoje só quero um sitio onde trabalhar. A vida começa todos os dias, só que esta difícil acordar todos esses dias e saber que será mais um dia igual ao anterior.
A minha vida esta cheia de cartazes "precisa-se de pessoas com experiência" e eu aqui,  pronta para me jogar de cabeça para adquirir a tal experiência.

02/10/2015


Talvez não seja a pessoa mais indicada para falar disto, pois nunca passei por esta situação, nem sei o que é a dor de não ter um tecto e muito menos, de não ter o que comer, mas sei que deve ser uma angústia enorme ter que passar pelo que vi nesse video. 
As vezes ainda dou ao trabalho de tentar perceber o ser humano, tento arranjar explicação para o inexplicável, tento compreender o incompreensível, tento aceitar o que já não é aceitável... mas desta vez chocou, sim, chocou imenso, ao ponto de me cair uma lágrima, talvez por não viver numa cidade onde existe sem abrigos por toda aparte, (peço desculpa, errei, não são "sem abrigos", são pessoas como eu e que não precisam desse rótulo)  ou talvez, porque estas situações são minimamente lamentáveis.
Moro numa terrinha, onde a pobreza é combatida com ajuda de todos, somos todos capazes de encher sacos de comida e ir ali dar ao vizinho que mais precisa, podem-nos chamar de camponeses, mas ire-mos ter sempre um saco de verduras para dar.

Eu não pergunto o porquê das pessoas morarem nas ruas, não preciso de saber se foi a droga, o álcool, ou o projecto de vida que  não correu como planeado, eu apenas me pergunto, como é que as pessoas passam por esses "sem abrigos" e ignoram, e para não bastar a ignorância, tratam-lhes de maneira desprezível, falam-lhes como se não passassem de bichos, porque? porque tanta maldade? 
Mais sensibilidade e menos arrogância, era disto que as pessoas precisam. Não sei, nem percebo como é que existem pessoas que conseguem sentir-se bem ao ver os outros mal. Não quero, nem consigo perceber como pode haver tanta hipocrisia. Não estou a pedir que os levem para as vossas casas, mas qual é o mal de uma conversa, uma conversa que não os façam sentir inferiorizados, nem sabem o quanto uma conversa pode melhor nem que seja só o estado de espírito daquela pessoa.
 Falta muita mão na consciência nesta população

01/10/2015

De repente choveu, caiu um cortinado de gotas, parece que a mãe natureza se tornou bipolar, e os seus sentimentos mudam a cada instante, ou apenas quis dar as boas vindas ao mês de Outubro, deixando o cheirinho da terra molhada pairar no ar, aquele frio leve que vem para ficar, e aquela brisa suave que faz as árvores balançarem.
Nunca soube apreciar um dia de outono como hoje, ver a chuva a cair lá fora e a molhar o que a minha visão pode alcançar, sentir o cheiro do eucalipto que me faz acalmar a mente, refrescar a maldade que alguns fizeram a natureza, sentir o quente a tornar-se ameno...
Outono não é uma época triste, muito menos uma altura que se anda de cabeça baixa. É apenas uma altura de conforto e sossego que nos permite apreciar a natureza de uma forma tranquilizante.
Que este outono continue a dar sabor aos meus dias...